segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Envelhecer

Envelhecer


Click em envelhecer


Arnaldo Antunes / Ortinho / Marcelo Jeneci


a coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer

a barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer

os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer


os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer

não quero morrer pois quero ver como será que deve ser envelhecer


eu quero é viver pra ver qual é e dizer venha pra o que vai acontecer

eu quero que o tapete voe

no meio da sala de estar

eu quero que a panela de pressão pressione

e que a pia comece a pingar



eu quero que a sirene soe

e me faça levantar do sofá

eu quero por Rita Pavone

no ringtone do meu celular



eu quero estar no meio do ciclone

pra poder aproveitar

e quando eu esquecer meu próprio nome

que me chamem de velho gagá




pois ser eternamente adolescente nada é mais demodé

com os ralos fios de cabelo sobre a testa que não pára de crescer

não sei porque essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender

domingo, 14 de fevereiro de 2010







Amor e carnaval....Carnaval e amor


Lá estava ela, linda faceira no baile de carnaval.
Acabara de ganhar o prêmio da melhor passista de frevo.
Ele com seu olhar distante, mas atento, não conseguia tirar os olhos daquela graciosa visão.
Quem é essa menina cheia de graça que me chama tanta atenção?!
Era apenas uma debutante, uma menina moça, começando a descobrir os segredos da juventude.
Ele também um bom bailarino. Conhecido como “pé de ouro”.
Não resistiu e foi chamá-la para dançar. Deram um show naquele baile onde os confetes e as serpentinas completavam a cena momesca.
Apenas dançaram e tomaram banhos de lança-perfume....
Ninguém queria quebrar o encanto daquele momento.
A diferença de idade...Dez anos!!! Isto o deixava tímido para maiores projetos.
Seria apenas uma dança em uma noite de carnaval.
Mas, nem sempre as promessas conseguem ser cumpridas.
No último dia dessa grande festa, um novo encontro.
Agora, já descobriram que precisavam um do outro.
Que queriam ficar juntos. Foi como um “tiro” certeiro ou melhor uma Flecha no coração de ambos.
Só que esse amor teve que esperar sete longos  anos até que a menina moça chegasse a maioridade.
Foram muitos bailes de carnaval onde celebravam o amor escondido.
Esse amor era proibido. O pai da menina moça não permitia o namoro. Para ele, ela era jovem demais para se envolver com um homem mais velho.Tudo foi feito para impedir esse amor.
Até que ao completar 21 anos ela se casa escondido de todos. Para ele, uma questão de honra...Como pode alguém querer impedi-lo de ter o seu grande amor!!!
Depois de oficializado o casamento, começam os preparativos para a cerimônia religiosa, já com a aceitação do pai da moça. O que podia fazer? Foi um golpe duro demais.
Como a grande maioria das histórias de amor, curtiram grandes carnavais, tiveram filhos e depois os netos. Mas, o amor não resistiu ao tempo e nem à rotina.
Hoje separados, já não brincam carnaval.....
Ele continua um pé de ouro. Mesmo doente não pode ouvir uma marchinha de carnaval que tenta fazer o passo. Um chorinho então, o emociona....
Uns anos atrás, já doente e com a memória teimando em falhar, queria rever a Rua Nova, palco de boas lembranças....
Em plena semana pré-carnavalesca passeando pela Rua Nova, relembrando os espaços, as histórias....Quantas histórias!!!!
Não resistiu e caiu no passo atrás das orquestras que passavam pela rua alegrando os transeuntes.
Assim,mais uma história como tantas outras que começou no carnaval.



Para você passar....
















Essa façanha da natureza sempre me chamou a atenção.
Perto da minha casa, no caminho de acesso à praia, tem essa árvore e uma ponte.
Sempre que passo por lá, paro para admirar tamanha beleza. O que chamo de acomodação natural.
Podemos até fazer uma comparação com tantos processos que passamos na vida e vamos deixando ela se acomodar.
Pois é, aí não foi nenhum jardineiro que projetou essa curva natural da pequena árvore.
Talvez se alguém tivesse projetado não ficaria lindo assim.
Foram as tantas vidas, tantas energias. Fluxo diário que permitiu  a criação de uma copa entrelaçada de flores....Só para você passar.
Parece até que ela quer te acolher, te absorver...E dizer: nunca deixe de por aqui passar.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Em uma linda noite de lua cheia....









Relendo Cecília Meireles, escolho este poema para publicar no blog. O momento é único. De contemplação da lua linda e cheia desta sexta-feira de janeiro, quente e especial.

"Não sei distinguir do céu as várias constelações:
não sei os nomes de todos os peixes e flores,
nem dos rios nem das montanhas:
caminho por entre secretas coisas,
a cada lugar em que meus olhos pousam,
minha boca dirige uma pergunta.

Não sei o nome de todos os habitantes do mundo,
nem verei jamais todos os seus rostos,
embora sejam meus contemporâneos.

Não, não sei, na verdade, como são em corpo e alma
todos os meus amigos e parentes.
Não entendo todas as coisas que dizem,
não compreendo bem de que vivem, como vivem,
como pensam que estão vivendo.

Não me conheço completamente,
só nos espelhos me encontro,
tenho muita pena de mim.

Não penso todos os dias exatamente
do mesmo modo.
As mesmas coisas me parecem a cada instante diversas.
Amo e desamo, sofro e deixo de sofrer,
ao mesmo tempo, nas mesmas circunstâncias.

Aprendo e desaprendo,
esqueço e lembro,
meu Deus, que águas são estas onde vivo,
que ondulam em mim, dentro e fora de mim?

Se dizem meu nome, atendo por hábito.
Que nome é o meu?
Ignoro tudo.

Quando alguém diz que sabe alguma coisa,
fico perplexa:
ou estará enganado, ou é um farsante
ou somente eu ignoro e me ignoro desta maneira?

E os homens combatem pelo que julgam saber.
E eu, que estudo tanto,
inclino a cabeça sem ilusões,
e a minha ignorância enche-me de lágrimas as mãos."


Cecília Meireles -1960

sábado, 16 de janeiro de 2010

Jardim suspenso de Cactos

















Sempre gostei de mexer com plantas. Mas gostar não significa saber mexer e se tornar uma pessoa especialista em plantas..


Foram muitas tentativas desde a infância.


Lembro que morei em uma casa que tinha lindas roseiras no jardim e que eu apaixonada pelas roseiras regava todos os dias. Esse era também um dos costumes do meu pai . Confesso que elas não necessitavam de tantos cuidados. Aquele jardim tinha algo de bom.Talvez a terra, o astral, por ser nascente, não sei .......Era lindo!!!!


Um dia inventei que se tirasse os espinhos das rosas estaria fazendo algo bom, mas alguém falou que elas morreriam......Pesquisando descobri que rosas não possuem espinhos e sim acúleos (acúmulo de substâncias orgânicas e que sua retirada não causa dano ao vegetal, só uma cicatriz). Mesmo sem saber que não causaria dano, passei a tirar os espinhos de algumas para facilitar minha chegada e apreciação juvenil, tinha que pegar, cheirar..... Freud explica!!!



Depois fomos morar em outra casa onde já encontramos um pé de limão, um pé de carambola e um quintal imenso no qual fizemos uma pequena horta, onde plantávamos tomates e coentro.


A carambola sujava muito o quintal, mas em recompensa nos proporcionava uma fruta saborosa. Mas o limoeiro parecia doente. Nada fazia ele melhorar. Plantamos umas flores, mas elas vingavam com grande dificuldade.


Um dia ganhei uma muda de pau Brasil em uma exposição. Cheguei super feliz em casa e escolhi com muito cuidado o local ideal para plantá-la. Essa casa era quente, o sol ao se despedir do dia olhava para ela e nos colocava à prova mostrando toda sua energia. Queríamos algo que fizesse sombra.


Bem o pau Brasil pegou (vingou), foi crescendo e até hoje é lindo e nos favorece com uma maravilhosa sombra.


Todas as festas da casa eram realizadas embaixo dele, nossas conversas em família, namoros, etc......Ah!!! Acho que esta árvore conhece todos os segredos dessa família.


Ela é tão bonita que os pássaros adoram fazer seus ninhos por lá.


Bem, acontece que quando casei fui morar em apartamento e aí descobri a grande dificuldade de ter plantas em “gaiolas”. Poxa, como foi difícil entender que não sabia cuidar de plantas em apartamento. Muitas morreram e aí comecei a achar que não tinha mais solução para mim......


Foi quando resolvi colecionar cactos. Pensem numa boa idéia!!!! Como todo começo, foi um pouco difícil. Consegui matar alguns cactos. Imaginem!!!! De tanta água que colocava.


Mas a adaptação foi rápida. Descobri que eles são super simples de cuidar e assim estamos ficando com uma floresta de cactos. Meu companheiro também comprou a idéia e hoje até acho que ele é mais empenhado do que eu. A cada semana é um cacto novo....Eles crescem rápido, mudamos de vaso, replantamos. Está sendo uma experiência bem legal.Ah! aprendemos que nas cactáceas os “espinhos, por exemplo, são catafilos (folhas modificadas, com menor grau de organização que folhas comuns) para evitar perda d'água.”Vixe!!!!


Ah!!!Mas as rosas, não consigo ficar sem elas. Toda semana compro rosas e coloco em um jarro. Elas são essenciais na minha vida. Não podem faltar.

Quanto à coleção, queremos uma coroa de frade bem bonita......hahahahah (só um lembrete)


Deixo aqui uma foto com uma pequena mostra do nosso Jardim suspenso de cactos em uma varanda de apartamento.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Freud apaixonado...Lindo trecho de uma carta

"Na carta de Freud para a noiva encontramos  imagens preciosas sobre a paixão"



" Sua linda fotografia. A princípio, quando tinha o original na minha frente, não pensava muita nela; mas agora , quanto mais a contemplo, mais ela se assemelha ao objeto amado;fico esperando que as faces pálidas corem até ficarem como as nossas rosas , que os braços delicados se separam da superfície e peguem a minha mão, mas  a querida fotografia não se move, apenas parece dizer: "Paciência! Paciência! Sou apenas  um símbolo, uma sombra lançada no papel, a pessoa verdadeira vai voltar e não poderá me esquecer outra vez".



SOUSA e ENDO. Segmund Freud: Ciênci , Arte e Política- Porto Alegre:LPM,2009

Proibida.......Ufffffff!!!!!

Um projeto, um sonho interrompido......
Não poderei mais fazer a tatuagem da Mafalda na perna.
Proibição  médica.....Risco de complicações.
Mari, minha irmãzinha de tatuagem, o que fazer?
Vamos pensar?
Saudade de tu tb Mari......