quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Vida, saudades, medos,alegrias e por aí vai....


Foram 114 dias de muitas batalhas, muitas emoções.


Quando chega a hora temida e você percebe que ali é o fim, hum..... A sensação é que você ficou sem chão, sem ar, sem céu, sem mar.........

A lembrança do momento......Uma lágrima que escapa junto com o último suspiro. Um adeus, mesmo estando sedado...Quem sabe o que se passa!?

A sentimento que tenho depois dessa experiência é que as aprendizagens realizadas. Inúmeras !!!!! Me fizeram ressignificar a vida em várias das suas dimensões.

Sair da batalha muito debilitada. Mas, como a contradição é um elemento importante nas análises. Posso afirmar estou mais forte para alguns enfrentamentos necessários.

A saudade de cada sorriso, cada gesto é inevitável e ainda dolorida.

Sem chances de “desfazer as malas”......Ainda não....

Também fica na memória o carinho de tanta gente....Que mesmo longe dá um jeito de ficar  perto. Um telefonema, um e-mail,um recadinho.

Momentos que ficam marcados e impossíveis de serem esquecidos. Obrigada por todo carinho e presença.


No entanto, a vida tá aí GRITANDO( em caixa alta), porque é um grande grito...Tipo: Vamos sair por aí.....

Dilma , foi eleita primeira Presidenta do Brasil. Fantástico!!!!
O Santinha, meu time do coração está passando  muito mal. Não  foi possível participar muito do processo eleitoral. Resta torcer  para dias melhores.

Eles virão.........Em todos os sentidos.















sábado, 23 de outubro de 2010

Ele partiu.......

A dor da ausência de uma pessoa tão querida nos deixa  sem saber o que dizer.Então pego "emprestado" um poema para expressar o meu adeus.








"QUE DEUS GUARDE MEU PAI.....




Não passar. Ficar para semente.


Não era isto que meu pai queria?


Sentava-se na rede e adormecia


julgando ter domado a dama ausente.


E sonhava talvez. Talvez menino


montando burros bravos, nu, ao vento;


um homem é a sua ação sobre o destino.


Meu pai então fazia um movimento


e a rede, a adormecer, estremecia:


pequenos sustos no tempo, era só isto.


E escancarava os olhos duramente


para mostrar que se Ela o procurava


era de cara a cara que a encarava..




Que Deus guarde meu pai. Eternamente."






Do poeta Antonio Brasileiro Borges.

domingo, 17 de outubro de 2010

HAI KAIS , brilho para os lábios e outros presentes

Essa semana ganhei de uma linda amiga 2 presentes: um novo e um velho( foi assim que ela falou) .De imediato não entendi, mas sabia que era divino pelo brilho dos seus olhos e a alegria estampada no rosto.......Aquela alegria que realça quando sabemos que vamos fazer alguém feliz.



O mais gostoso de tudo foi abrir os presentes envolvida com a surpresa e os detalhes.


Bem, o velho era um livrinho do Millôr "usado" por isso o chamava de "velho"( um pocket) onde ela dedicava dois Hai kais para mim.


1- NOS DIAS COTIDIANOS
    É QUE SE PASSAM
     OS ANOS



2- QUANTAS PALAVRAS DE AMOR
    MORREM
    NO APONTADOR



O  presente novo: um brilho para os lábios( providencial)........ADOREI

 Outro dia ganhei um cacto com um pedido de desculpas por discordâncias.
A mensagem era mais ou menos  assim: "eu sou tão áspero quanto esse cacto". Não concordei de imediato...Cactos são fragéis, sensíveis.
Junto ganhei fazendo parte do pacote de desculpas um livro de poesias de Cecília Meireles, maravilhoso!!!!!!

 "Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira."
Cecília Meireles





domingo, 3 de outubro de 2010

Compartilhando escritos de Clarice Lispector

SE EU FOSSE EU

"Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir.
E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como?não sei.
Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro.
"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais".
(Texto extraído do livro- Aprendendo a viver- Clarice lispector. Rio de janeiro- Rocco,2004) 

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Papai fez 80 anos....

Tudo estava indo bem, pensando nos limites e possibilidades do estado de saúde de papai.


Chega o tão esperado dia do aniversário. Poxa, papai conseguiu completar 80 anos.


Não foi um dia comum, claro, afinal são 80 anos.


Lembro quando ele tinha 40 anos e eu com os meus 8 anos o achava um idoso. Não sei o que passa na mente das crianças onde todo mundo que é adulto é considerado “velho”.


Mas ele era um jovem senhor de 40 anos. Boêmio, cheio de vida e que adorava o cotidiano, a rotina de ser pai. Levar na escola, ajudar nas tarefas, contar estórias na hora de dormir, ensinar a dançar, jogar dama e dominó. Na verdade aprendíamos a jogar, mas ninguém ganhava dele, nem de mamãe. Era um verdadeiro desafio.


Quanto a dançar, minha irmã era considerada a melhor dançarina. Minha desculpa era: Ah! Também ela fez ballet......Quando a gente não sabe dançar...qualquer desculpa serve.
Toda essa conversa para dizer da tristeza que foi a tarde e noite do dia 21 de setembro. Papai passou muito mal e foi internado na UTI.


Parte o coração deixar seu “bebê idoso.... sozinho” na UTI fria, congelada de um hospital, depois de mais de um mês de cuidados em casa. Uma sensação terrível de impotência, de completo vazio.


Voltar para casa e ele não está lá...O vazio é maior ainda porque a chegada de papai com o sistema Home Care transformou a rotina da casa.


O movimento constante de pessoas, profissionais da área de saúde entrando e saindo de casa, sempre contribuindo, deixava a casa com um certo encantamento. Estávamos todos construindo formas para tornar possível a arte de sobreviver com mais humanidade em tempos difíceis.


As amizades construídas, os afetos, as trocas, as brincadeiras.....Tudo em torno de um objetivo maior.Proporcionar a papai melhores dias mesmo diante das dificuldades.


O médico brincalão, carinhoso, humano. A fisioterapeuta que papai adorava e sempre a recebia com um lindo sorriso. A técnica de enfermagem (D. Edite) que foi também nossa mãe nos guiando nas alegrias e nas tristezas, nos dando conforto sempre nas nossas dores. As cuidadoras, Maria e Verônica, e o enorme carinho e afeto por papai. Selma querida, que tudo organizava e sempre estava lá com um lindo sorriso para papai. Aninha que animava todo mundo, inclusive seu B (meu pai e seu avô). Sérgio, que sempre estava lá buscando uma prosa com seu B.


Agora que ele voltou ao hospital, já está no quarto. Não sabemos por quanto tempo. Pode ser uma estadia curta, longa. Não sabemos.


Sabemos é que o amamos muiiito. E sempre digo para ele. Você não vai ficar só nunca. Não tenha medo.


Sei que ele entende porque ele aperta forte minha mão.


As forças são mínimas, muito debilitado pela doença. Mas o coração bate forte.


O guerreiro que não desiste da luta...O que fazer diante de tantas dores!? Ser guerreira também e ficar junto, não abandonar o barco.......


Nessas horas chegam as lembranças de uma vida.....


- quando ele me deixou na pré-escola (primeiros dias) e eu fiquei chorando, e a alegria ao vê-lo chegar mais cedo junto com minha mãe para me buscar.


- os passeios de lambreta, ainda pequena.


- quando virava sentinela no terraço de casa, na época dos namoros.


- quando me esperava tarde da noite da volta do cursinho na parada de ônibus.


- ele orgulhoso junto de mim na colação de grau na universidade.


Lembranças e aprendizagens para a minha e outras vidas...


Obrigada meu pai.......



quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Papai vai fazer 80 anos .......

Pois é, dia 21 de setembro papai vai fazer 80 anos.
Vamos fazer uma festa no melhor estílo " home care". Como é? Se eu souber eu "Xoxi".Vamos inventar....Será uma festa muito legal.Ele vai gostar
Afinal  na vida ou a gente inventa ou leva tapa na "venta".
Falando em invenção, comprei uma máquina de costura portátil SINGER. Linda!!!!Só não sei ainda o que vou costurar. Já pensei em calções para Thales( meu sobrinho), roupinhas para o bebê de Ceça que está chegando. Mas, pensei melhor, acho que vou fazer um pequeno curso. Já comprei linhas, uns retalhos para fazer os primeiros ensaios......Aos poucos vou realizando um sonho.Costurar minhas roupas.
Começamos a bordar algumas camisetas. Invenção de minha filha...Afinal, quer ser designer de moda.Uau!!!!
Também quer ser profissional da música. já toca violão( muito embalada).Diz que quando ficar famosa  eu vou me arrepender de ter insistido tanto para ela estudar.
Ahh han...........Famosa , mas escolarizada.

sábado, 4 de setembro de 2010

Um universo bem particular de silêncio e ruídos movido a esperança

O silêncio  de um homem  na sua cama, ou de olhos fechados, ou olhando o  infinito, ou nos presenteando com um lindo sorriso. Os movimentos que fazemos, conversas, músicas, tv ligada nos  canais com programação leve e colorida para estimular e alegrar. Parece que não fazem muita diferença......
Às vezes pergunta pela chave , se a casa está fechada.......
Única lembrança que persiste, as outras perguntas foram  esquecidas.....Simplesmente esquecidas.
Ontem nos deu um susto, respiração ofegante, febre.....Nova infecção que persiste.
Tem que trocar o acesso central, pequena cirúrgia  que, mesmo sendo pequena, tem seus riscos.
Hoje o médico chega para o procedimento, mais um.....Sua rotina. Para nós uma situação de muito risco. Papai fica sem entender. Explicamos. Super tenso, nervoso, mas quieto.....Bem comportado. Em um momento parece que vai dar tudo errado, mas uma manobra  do médico, tudo volta ao normal.
O médico fica admirado com a tensão da família...."Esse é procedimento  rotineiro para esses casos, com o tempo vcs acostumam"....Ele não sabe que esse nosso jeito é que é rotina. Nosso jeito de amar, nosso jeito de cuidar.
O médico que  agora o acompanha tem uma grande esperança que nos transmite boas perspectivas.
Os projetos para papai são fantásticos.
Voltar a sentar com o tratamento da escara( úlcera de  decúbito) que está sendo um sucesso.
Retirar a sonda de alimentação, a fono vai começar a fazer o desmame da sonda.
Retirar o acesso central( breve, breve....)
Já imaginamos dando voltas no jardim do prédio com papai na cadeira de rodas.
A esperança é o que nos move......Contamos sempre para ele os projetos para que ele se anime e continue colaborando para  a recuperação.
Nenhum silêncio impede  que  a gente plante esperança e  arregimente forças, desejos para  acreditar que a vida  precisa ser vivida do melhor jeito, até o último suspiro.
Enquanto papai faz silêncio, nós fazemos ruídos de desejos e esperanças.